quinta-feira, 15 de abril de 2010

Divisão de tarefas.. tem certeza que não precisamos mais de feminismo??


Achei interessante essa reportagem (abaixo) que saiu hoje na Folha de SP. Acho que tem muuita coisa pra discutir sobre o assunto.
Eu particularmente estou cansada de ouvir de outras mulheres: "Que bom que o teu marido te ajuda!". Como assim? Quer dizer que ele faz um "favor"? Não é assim, não.

E acho muito fácil a mulherada reclamar dos maridos e criar os próprios filhos de maneira machista, achando que não é responsabilidade deles lavar louça, limpar o próprio quarto, cozinhar, fazer pequenos reparos nas próprias roupas, compras de supermercado, etc etc.

A minha opinião é que as mulheres devem sim, educar os filhos homens para que tenham condições de assumir as MESMAS responsabilidades de uma mulher (e vice-versa.. minha mãe me ensinou a trocar pneu de carro sozinha). Daí a ter aptidão pras coisas são outros quinhentos, mas a gente pode se surpreender - meu marido cozinha bem melhor que eu. Assim como as mulheres devem ser educadas sem estereótipos: por que não pode ser a filha mulher a herdeira da empresa da família? Por que mulheres não podem investir seu dinheiro, cuidar da manutenção do carro, gostar de futebol? Cada vez mais acho que temos um longo caminho pela frente.




RACHEL BOTELHO

DA REPORTAGEM LOCAL

Os homens estão mais solidários e mais envolvidos com a criação dos filhos do que jamais estiveram.Mas, a julgar pelas queixas de boa parte das mulheres, isso não é o suficiente para resolver a velha questão da divisão de tarefas. Porquê?
Muitas mulheres, apegadas ao poder ancestral que detêm sobre o lar, tratam os parceiros como meros ajudantes, reforçando estereótipos de gênero e dificultando qualquer movimento em direção a uma distribuição mais igualitária de responsabilidades.
Homens inseguros no papel de pai, por exemplo, vão se encolher, em termos cooperativos, diante de uma mãezona perfeita, lembra o psiquiatra Luiz Cuschnir, do Centro de Estudos da Identidade do Homem e da Mulher. "Com frequência, as críticas e atitudes professorais da mãe inibem o desenvolvimento do pai. Ser criticado, além de ter recebido uma educação de que o ambiente doméstico não é o seu campo de atuação, faz com que o homem se sinta inábil, desengonçado e facilmente se constranja nesse papel."
Constrangido ou não, o homem fica cada vez mais com os filhos. Um estudo da Universidade da Califórnia mostra que esse tempo mais que dobrou nos últimos 15anos.
Outro dado que chama a atenção, nessa mesma pesquisa, é que ele passa pelo menos duas das horas extras em família ao lado da mulher, sinal de que o casal tem dividido mais as responsabilidades relacionadas à casa e ao trabalho, de modo a ficar fisicamente mais próximo, dizem os pesquisadores.

Mulher e trabalho
Por outro lado, quando o marido trabalha demais, ainda é comum a mulher abrir mão da própria carreira para segurar as pontas em casa. Se é ela que trabalha demais fora de casa, o impacto na carreira dele é quase nenhum, como comprovou um outro estudo feito nos EUA.
A casa e os filhos ainda são vistos como problemas de mulher, no imaginário deles e delas, segundo a análise de Rosa Macedo, coordenadora do Núcleo de Família e Comunidade da PUC-SP: "Tem homens mais cooperativos que dizem que ajudam, mas isso significa que não é responsabilidade deles.
Elas querem que eles assumam que a responsabilidade é igual", afirma. Para a psicóloga, essa visão de que o homem está fazendo um favor para a mulher precisa mudar.
Em países desenvolvidos, a divisão dos cuidados com as crianças e das tarefas domésticas é mais igualitária. Até porque, no hemisfério Norte, empregada doméstica é um luxo.
"O homem participa e tem que participar muito. Eles fazem as compras sozinhos, cozinham", diz a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
"Aqui, onde a mulher manda em outra mulher que manda também, é difícil para o homem assumir responsabilidades."

Novo modelo
Independentemente da presença de uma auxiliar oficial, a rotina familiar costuma demandar um esforço extra para não sair dos trilhos. Uma alternativa para dividir as coisas sem que ninguém fique sobrecarregado nem de cara amarrada é considerar as aptidões e preferências individuais.
"A solução é entrar em uma negociação em que os dois sejam encarregados de fazer a divisão.
Se os dois trabalham, se respeitam, são dois indivíduos que querem ter uma relação legal, isso é possível", acredita Goldenberg.
Outro componente importante é a flexibilidade. "As tarefas precisam ser divididas de acordo com a disponibilidade do momento. Se tem reunião das crianças na escola e ela não pode ir, o marido dá um jeito.
Não é assim:o filho está doente, a mulher larga tudo e leva ao médico. Precisa conversar e ver quem pode fazer", afirma Rosa Macedo, da PUC-SP.
Com um pouco de boa vontade, o trabalho doméstico pode ser até divertido. "É um momento de estar junto, conversando, isso pode ser prazeroso", diz a psicanalista Belinda Mandelbaum, coordenadora do Laboratório de Estudos da Família do Instituto de Psicologia da USP.
Para as jovens mães, não custa lembrar que a criação da nova geração de adultos está, em boa parte, em suas mãos. "Muitos homens são educados de uma forma que não têm noção de cuidado pessoal -não aprenderam nem a arrumar a cama. As mulheres reclamam, mas continuam mantendo certas diferenças na educação de filhos e filhas", diz Macedo.
Leia a seguir como três casais organizaram sua rotina.

[...]
Ser criticado faz com que o pai se sinta desengonçado nesse papel
LUIZ CUSCHNIR

[...]
Elas reclamam, mas continuam educando filhos e filhas com diferenças
ROSA MACEDO

3 comentários:

Ministério da Saúde disse...

Caro blogueiro,

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Para mais informações sobre como se tornar um parceiro, escreva para fernanda.scavacini@saude.gov.br .

Atenciosamente,
Ministério da Saúde

Ricardo disse...

Caro Blogueiro...
este post explica muita coisa...
beijos

Angela disse...

Perfeito! Realmente a divisão de tarefas é muito diferente do "ajudar". Aqui em casa nós realmente dividimos todas as tarefas, de acordo com a preferência, a disponibilidade e o gosto de cada um (ele cozinha, vai à feira, leva o nícolas pra tomar vacina... várias vezes eu trabalho até mais tarde então o Nícolas fica muito com o pai). Mas isso é raro e muitas vezes estranhado pelas pessoas ao redor